Jogadoras LGBT’s e suas lutas para (re)existir

Junho foi o mês eleito para que o movimento LGBT (jogadoras LGBT’s) saísse às ruas de todo o mundo para reivindicar seus direitos e protestar contra a LGBTFobia. O período só ganhou notoriedade nos últimos anos, mas o fato que deu origem as Paradas aconteceu ainda no século XX, no fim da década de 60.

A referência está na revolta de Stonewall, que aconteceu no dia 28 de junho de 1969, quando um grupo LGBT que se encontrava no bar resolveu dar um basta a já rotineira violência policial. O enfrentamento perdurou por mais dias no em torno do bar e foi a partir dali que a data ficou marcada.

Já viramos a página do calendário, mas a Agência Maria Boleira, decidiu manter o protagonismo desse público em alto e foi em busca da história de jogadoras que decidiram se arriscar na modalidade, mas além de serem mulheres, enfrentaram as barreiras do preconceito para ganhar respeito em campo.

A jogadora do Damas da Bola, Mariana, é natural de Osório e mora em Novo Hamburgo, interior do Rio Grande do Sul. Mare, como é conhecida pelas colegas, bateu um papo com nossa equipe sobre futebol e aceitação.  Ela nos conta como foi se assumir lésbica aos 18 anos.

“Em um primeiro momento foi uma barreira lidar com a família, mas com o tempo minha mãe acabou aceitando numa boa. Com meu pai é mais difícil de lidar. Ele não aceita” ressalta a atleta.

Jogadoras LGBT’s: preconceito gera barreira profissional e pessoal para atletas

Durante o mundial de futebol feminino, que teve início em 7 de junho e encerrou ontem (7), muitas mulheres assumiram publicamente seus relacionamentos homoafetivos. Atos como esse, que não costumam acontecer no futebol masculino, incentivam outras atletas a saírem do armário e ainda ajuda a reconstruir a imagem do futebol, que pode também atender a diversidade.

Contudo, a visibilidade que o futebol feminino vem alcançando ainda não quebrou todas as barreiras do preconceito. Muitas atletas, por medo de perderem patrocínios e oportunidades, não assumem sua sexualidade. Um dos casos mais famosos do meio foi o da treinadora da Nigéria, Eucharia Uche, que rechaçou as jogadoras lésbicas e bissexuais do seu time. 

O país é um dos sul-africanos em que não ser heterosexual assumido é crime. No Brasil a situação está em outros passos. Recentemente, o STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que “discriminação por condição sexual e identidade de gênero” passe a ser crime. Parte da comunidade LGBT comemorou a decisão, a outra fez críticas, pois buscam mudanças estruturais, não apenas punições. 

A psicóloga Caroline Neres conversou com a equipe e pontuou o quanto questões de gênero e condição sexual geram, de modo geral, um impacto na vida das pessoas. 

“As pessoas até toleram sua condição sexual ou gênero, mas o tempo todo incentivam que isso não seja mostrado. O poder ser, de fato, inclui a pessoa poder se mostrar e agir no mundo de forma livre e espontânea, sem julgamentos. Infelizmente, ainda não alcançamos esse patamar” afirma Caroline Neres.

Jogadoras LGBT’s: apoio familiar é saída para discriminação sofrida dentro e fora dos campos

A psicóloga Caroline explica que a intolerância afeta psicologicamente as atletas, uma vez que esses julgamentos podem trazer sentimentos de insegurança, culpa, vergonha e sentimentos de não pertencimento. Ela sugere que uma saída para resistir o preconceito é o apoio da família. 

Bruna, 26 anos, joga no Largados de Nova Hamburgo, Rio Grande do Sul. Ela nos conta que o acolhimento da família foi muito importante no processo de aceitação de sua sexualidade.

“Sempre tive o apoio da minha família, que enfrentou tudo comigo, por saberem que eu ia passar por momentos difíceis por estar me assumindo. […] Eu sofria bastante porque eu jogava no meio dos meninos da escola, então sempre me apelidavam. Me chamavam de guri”, desabafa.

Jogadoras LGBT’s: dados mostram que avanço ainda não salva todas as vidas

A pauta LGBT ganha mais visibilidade a cada dia e vem sendo discutida em diversos espaços. No entanto os dados nos mostram que ainda há  muitos obstáculos a serem percorridos. A pesquisa mais recentes do Grupo Gay da Bahia – GGB, mostra que em apenas cinco meses, de janeiro a maio deste ano, o Brasil já registrou 141 mortes de pessoas por LGBTfobia

Mais do que homenagens lembrando os 50 anos da revolta de Stonewall Inn – que deu origem a data da visibilidade LGBT – as pessoas querem respeito, dignidade e direito de (re)existir. 

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