Inter 111 anos: a história do Clube do Povo

Domingo, 4 de abril de 1909. Uma Porto Alegre em constante transformação e crescimento testemunhava o nascimento de um dos maiores clubes de futebol do Brasil. O Sport Club Internacional foi fundado pelos irmãos de descendência italiana Henrique Poppe Leão, José Eduardo Poppe e Luiz Madeira Poppe que, vindos de São Paulo, foram recusados pelas equipes já consolidadas na capital gaúcha, já que eram desconhecidos na região. 

Notícia publicada pelo jornal Correio do Povo sobre a fundação do Sport Club Internacional em 1909

A partir daí, nascia um clube democrático, sem preconceitos e de portas abertas para receber brasileiros e estrangeiros. A alcunha de Clube do Povo ganhou ainda mais força em 1925, quando Dirceu Alves chegou ao clube e se tornou o primeiro negro a vestir a camiseta colorada, o que, na época, era um grande tabu. Dois anos depois a equipe venceu o primeiro Campeonato Gaúcho e se consolidou como uma potência no Rio Grande do Sul.

Em 1956 o clube deu início a sua nova casa: o Estádio José Pinheiro Borda, conhecido como Gigante da Beira-Rio. Foram 13 anos de obras, com orçamento apertado e um projeto ambicioso de construir um estádio dentro de um rio. Na época a torcida participou da concretização desse sonho, contribuindo com os materiais necessários, como tijolos e cimento

 * Clique aqui e conheça todos os detalhes dessa história.

Inter 111 anos: Força Feminina Colorada – a primeira organizada de mulheres no Rio Grande do Sul

O Grêmio nasceu antes, mas o pioneirismo do Internacional ultrapassou as quatro linhas e chegou até as arquibancadas. A Força Feminina Colorada, reconhecida como a primeira torcida organizada de mulheres no Rio Grande do Sul, foi fundada em 2009 por um total de 12 torcedoras. O coletivo surgiu em uma comunidade na rede social mais popular da época, o então desativado Orkut. 

Apesar de muitas já frequentarem o estádio naquele ano, a falta de presença feminina e os constantes registros de violência afastou elas das arquibancadas. Com isso, resolveram se unir através da internet e criar a Força Feminina, que ao longo de mais de dez anos também conquistou o direito de participar de reuniões, organizar ações com o clube e reivindicar mudanças. 

Hoje o clube também conta com uma diretoria feminina que, institucionalmente, dá mais voz às mulheres.

Se quer saber mais sobre a história da FFC, como informações sobre as fundadoras, ações que desenvolvem com o clube e sobre sua  representatividade feminina no futebol, assista — de casa a live no Instagram da Agência Maria Boleira (@agenciamariaboleira), programada para acontecer neste sábado (04/04), às 18h30 (de Brasília).

Inter 111 anos: Lugar de mulher é na arquibancada e onde ela quiser

“Inter, estaremos contigo. Tu és minha paixão! Não importa o que digam, sempre levarei comigo” assim começa uma das músicas mais entoadas pela torcida colorada em todos os jogos do Inter e com mais força ainda quando o jogo é no Beira-Rio, pois “o gigante espera para começar a festa”. Em 111 anos não faltam histórias para ilustrar a trajetória do clube gaúcho e, por isso, convidamos algumas torcedoras para declararem seu amor pelo Internacional e compartilharem com a gente suas lembranças mais marcantes.

Inter 111 anos: Bruna Santos, 26 anos, Cachoeirinha – RS

“O começo da minha história com o Inter não foge muito do tradicional.[…] Ainda bebê já me vestiam com a camisa colorada e ensinavam a cantar as músicas da torcida. Com o tempo fui andando com as próprias pernas e o amor pelo clube criando forças nas bases já estabelecidas”, fala sobre sua paixão. 

“Têm duas imagens que sempre se destacam na minha cabeça. O primeiro é o Rafael Sobis correndo com a nossa bandeira, pelo Beira-Rio, após o título da Libertadores de 2006. A outra, que me fez derramar lágrimas de felicidade foi o Fernandão levantando a nossa taça de Campeão do Mundo”, sobre sua vivência.

Inter 111 anos: Daniela Cristiane, 24 anos, Canoas – RS

“Meus pais sempre foram colorados. Desde nova meu pai me levava ao estádio. No começo eu ia só pra comer cachorro quente e tomar refri, não entendia de futebol, só depois eu peguei gosto  pelo jogo. Minha paixão pelo Inter é tamanha que escolhi ser jornalista com o sonho de trabalhar no clube um dia”, conta.

“Lembro que em todas as decisões nós sentávamos no mesmo lugar, no meio da superior e em diagonal. Parece que aquele lugar nos trazia sorte. Em todas as decisões foram assim: Libertadores, Recopa, Gauchão. Mas a lembrança que mais me marcou foi a chegada do Inter do Mundial, foi uma sensação indescritível. Eu agradeço meu pai por me apresentar uma paixão tão grande. Se tem uma lembrança que eu vou carregar do meu pai por toda minha vida é essa: ser colorada!”, fala à reportagem.

Inter 111 anos: Fernanda Lopes de Oliveira, 25 anos, Laguna – SC

“Meu amor começou quando minha mãe se casou de novo, eu tinha 4 anos. Meu padrasto era fanático pelo Inter, tinha camisas antigas e colava pôster de campeão [que vinha no jornal] na parede, eu não entendia muito porém adorava. Eu fazia de tudo pra me aproximar dele pois via ali a oportunidade de ter um pai de verdade, até que ele me levou no estádio e foi natural. […] Desde então eu sempre acompanho o Inter. Amo ver meu time em campo respeitando a todos como deve ser, toda a união dos jogadores e torcedores, não importa se é na fase boa ou na ruim, como foi a série B”, relata.

Inter 111 anos: Letícia Aquino, 24 anos, Porto Alegre – RS

“Eu amo esse time, já chorei, já fiquei com raiva, já fiquei muito feliz, já senti muito orgulho. Mas nunca deixei de acompanhar e defender. Não tenho uma história linda, de que ia nos jogos desde pequena ou que tenho todas as camisetas do clube. Mas sei que desde que me conheço sempre gostei do Internacional. Meus pais me disseram que quando criança eu dizia ‘eu sou do time de vermelho e não gosto do azul’.. Mas foi em 2005, um ano antes do mundial, que comecei a acompanhar o Inter de verdade”, fala Letícia.

“Em 2011 criei um Twitter (@_leaquinoo), onde eu falo sobre o Inter e interajo com as pessoas e falo sobre minhas experiências nos jogos e em momentos que passei do lado do colorado. A minha descrição é “Apaixonada pelo clube do povo” e nisso explico um pouco o meu sentimento pelo time. […] O que posso dizer é que mesmo na minha tv em preto e branco, no quartinho onde eu lotava com a minha mãe, sempre acompanhei o Inter. Hoje adulta e tendo condições, o lugar que eu mais amo estar é no Beira Rio”, finaliza.

Inter 111 anos: Louise Machado da Silva, 24 anos, Porto Alegre – RS

“Minha paixão pelo Internacional começou quando eu nasci, em 1995. Meu pai, que sempre foi apaixonado pelo time, começou a me levar em alguns jogos no Beira-Rio e passou essa paixão para mim”.

“Me lembro da final do Gauchão de 2005, Inter x 15 de Novembro. O estádio estava lotado, a torcida cantava sem parar quando, no intervalo do jogo, faltou luz. A imagem da torcida com isqueiros e flashs dos celulares ligados é muito viva em mim assim como o amor pelo meu time”

*Esta reportagem foi produzida pela jornalista Tatiani Maciak e revisada por Danielle Mugarte. As reproduções deste conteúdo devem indicar que a produção é da Agência Maria Boleira com os nomes da autora e revisora.


*Esta reportagem foi por Tatiani Maciak e revisada por Danielle Mugarte. As reproduções deste conteúdo devem indicar que a produção é da Agência Maria Boleira e mencionar os nomes da autora e revisora. 

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