Inauguração do Boca Juniors em Bragança conta com bate papo sobre futebol feminino

A manhã deste sábado (27), foi a data escolhida para a abertura oficial da escolinha de futebol do Boca Juniors, em Bragança Paulista (SP). O evento inaugural abriu espaço para o futebol feminino e contou com a presença das jogadoras Gabriela de Araújo, Emily Souza e Claudia Nunes de Souza, jogadoras amadoras.

O intuito da escolinha é atender de forma mista, meninos e meninas com idades 3 e 17 anos. As turmas masculinas estão em andamento, já as femininas serão formadas conforme a procura das famílias. Contudo, as convidadas representaram a força feminina em campo. No evento, elas jogaram bola com os alunos e conversaram sobre suas experiências.

A nossa equipe aproveitou o momento para conversar com elas sobre suas trajetórias no esporte. Emily conta que sempre gostou de futebol, por influência de seu pai, torcedor do São Paulo, com quem tinha o costume de ir ao estádio: “Todo jogo que eu tinha, meu pai ia comigo, me acompanhava. Então ele foi bem importante, apoiou bastante”, destaca a jovem.

Assim como Emily, Claudia também assistia muito futebol com seu pai. Ela começou a jogar com os primos e passou levar o esporte a sério. “Eu sempre joguei mais com menino do que com menina, depois que surgiram algumas meninas que a gente foi se enturmando”, lembra a jogadora.

Já Gabriela tem dois irmãos que jogavam bola. Ela os acompanhava e foi os vendo jogar que decidiu que também queria praticar o esporte. “Ali eu fui aprendendo com eles. Desde pequena eu sempre gostei, eu sou apaixonada por esse esporte”, revela.

Passar por uma escolinha faz a diferença entre jogadoras

Entre as vantagens de passar por uma escolinha de futebol, está a preparação física e a interação com outras pessoas. “Não só com menina, porque quando você está em escolinha de base não joga só com menina, você joga com menino. Então você pega o jeito de jogar de todos”, explica Emily.

Gabriela ressaltar que ao participar de uma escolinha, a jogadora aproveita uma estrutura adequada e desenvolve condicionamento físico.

Aos poucos a modalidade se democratiza, mesmo com todos os preconceitos que ainda existem. “Mesmo você jogando mais do que os homens, às vezes eles não te escolhem porque você é mulher”, afirma Claudia. Para Emily, o maior preconceito foi na época da escola, nas aulas de educação física. Ela conta que queria jogar bola, mas eram pouquíssimas meninas e os meninos não chamavam

Gabriela ressalta que as pessoas entendem o futebol como um esporte masculino, quando na verdade qualquer modalidade é para todos. “Habilidade não se mede, adquire com o tempo, não interessa se é homem, se é mulher. As pessoas deveriam ter a visão mais aberta e ver isso”, argumenta.

Investimento ainda é desafio para a categoria

A estrutura também se torna um problema para elas. Claudia conta que chegou a participar de um treinamento que tinha uma única bola e já presenciou casos de meninas que jogaram em outra cidade e precisaram de caronas, enquanto os homens já contam transporte.

“A estrutura deles é bem maior do que a do feminino. É por causa desse tipo de diferença que o futebol feminino não vai tão além do futebol masculino”, opina Claudia.

Gabriela reforça que as pessoas não acreditam tanto no futebol feminino como deveriam. “Se for parar para assistir, é quase a mesma coisa, se não tiver mais habilidade, se não for um futebol mais bonito do que o masculino. Falta acreditar. Se tivesse patrocínio, eu acho que evoluiria mais”, afirma.

A unidade é coordenada pelos professores Jorge Lázaro Polettini e Adriano Missiani Ridolfi. Mas informações podem ser obtidas pelo site www.bocajuniorsbrasil.com.br.

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