Goleira da Bielorrússia conta como é jogar no país que não parou pela pandemia

O mundo inteiro parou. Os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados um ano e o mesmo aconteceu com a Eurocopa. Todos os torneios de futebol feminino do mundo estão suspensos. Exceto em um lugar: a Bielorrússia, um pequeno país do leste europeu, ex-membro da União Soviética. 

Até mesmo a Nicarágua, que segue com seu campeonato de futebol masculino, já suspendeu as partidas de futebol feminino e futebol de salão – os dois últimos realizados por uma federação diferente. 

A Federação Bielorrussa até o momento é intransigente e permanece com todos os campeonatos mantidos. O país tem pouco mais de 9,5 milhões de habitantes e já tem 860 casos confirmados de COVID-19 e 13 mortes pelo vírus notificadas. 

Ainda assim, os clubes têm lucrado com isso: segundo a Reuters, a pandemia deu 10 novos contratos de transmissão para o campeonato masculino.

A situação do futebol feminino é um pouco diferente. Sem transmissão televisiva, no dia 30 de março, diante de um estádio vazio, as jogadoras do país disputaram o Super Bowl da categoria. As vencedoras foram as atletas do Minsk FC, o único representante da Bielorrússia na Champions League feminina. 

Na próxima semana, entre os dias 16 e 18 de abril, elas já vão disputar a primeira rodada do Campeonato Nacional contra o Dnepr Mogliev. Nós conversamos com a capitã da equipe e goleira da seleção, Ekaterina Kovalchuk sobre a situação do país e sobre o medo das atletas de jogarem no meio da pandemia

Maria Boleira: A sua rotina de treinos está normal agora durante a pandemia do novo coronavírus?

Eketerina: A gente está treinando normalmente, sem nenhuma restrição. Nas ruas, o clima está um pouco diferente. Algumas pessoas evitam lugares lotados e ter menos contato físico com outras pessoas, mas há quem esteja vivendo a vida normalmente.

M.B: E você, pessoalmente está com medo da pandemia?

Eketerina: A gente vê que mais e mais pessoas estão sendo infectadas. Então sim, eu tenho medo, eu fico preocupada com o avanço da doença.

M.B: Como está a situação no Minsk FC?

Eketerina: Nós acabamos de jogar o Super Bowl. Na semana que vem, 16, 17 ou 18 de abril, ainda não sabemos a data exata, teremos outra partida contra o Dnepr Mogliev. Tudo normal.

M.B: E como o futebol feminino é visto na Bielorrússia?

Eketerina: Alguns bielorrussos nem sabem que existe futebol feminino. A gente está tentando mudar isso, mas ainda há uma diferença muito grande entre o futebol masculino e o feminino. Ano passado, nós do Minsk chegamos até as oitavas de final da Champions League. Foi um feito histórico! Aos poucos estamos fazendo a diferença.


*Esta reportagem foi por Cecília Quevedo e revisada por Thaís Nozue. As reproduções deste conteúdo devem indicar que a produção é da Agência Maria Boleira e mencionar os nomes da autora e revisora. 

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