Futsal: A era das mulheres no esporte

O futebol feminino chegou ao ápice com a Copa do Mundo Feminina, e na América do Sul a força veio com a obrigatoriedade dos clubes de manter uma equipe composta por elas para a disputa da Copa Libertadores. Isso reflete no fato de que vemos o número de mulheres na arquibancada crescer em passos largos. No dia 17 de março vimos o estádio Wanda Metropolitano lotado para assistir Barcelona x Atlético de Madrid, pelo campeonato espanhol feminino.

Na carona desse crescimento, muitas meninas estão buscando coletivamente jogar de forma profissional: alugando quadras e, ocupando um lugar que antes era majoritariamente masculino.

Dentre várias equipes que disputam torneios amadores, a Vênus F.C. é um dos destaques. O professor e treinador da equipe paulista, Júlio, conta que durante a graduação em educação física, fez estágios com modalidades femininas de campo e salão, em colégios privados, assim como, equipes federadas e representativas das prefeituras de Diadema e São Bernardo, no Grande ABC.

“Em 2016, criei a ‘Liga Central Paulista’, com o objetivo de divulgar e organizar competições de futebol de quadra e campo. Após muita luta, conseguimos nossa primeira competição denominada com o mesmo nome. Na 1o edição já tínhamos 20 times de futsal, que foi sediada no centro da cidade de São Paulo”, descreve o treinador sobre a criação da LCP e a rápida adesão ao projeto que teve mais de 8 campeonatos e 100 jogos.

Ao longo da competição, várias meninas procuraram a LCP para jogar, mas não tinham clubes, foi quando Júlio e os outros organizadores tiveram a ideia de criar e administrar equipes próprias.

As equipes recebem meninas a partir de 14 anos, que queiram aprender a jogar. A LCP conta com 4 treinadores, além de Luíz Jandel, responsável pela publicidade e o design Michel García, incumbido das redes sociais.

O grupo já chegou a ter 172 mulheres, no entanto algumas foram saindo ao longo do tempo, e hoje é composto por 60 meninas, que chegaram ao projeto por indicação ou pelas redes sociais. “Já vivenciamos todos os níveis da modalidade, seja ele do alto rendimento a iniciação esportiva”, conta o treinador.

Segundo Júlio, para manter o projeto, é cobrado uma mensalidade a todas que jogam. O dinheiro é revertido para o pagamento da locação da quadra e de todo material de treinamento, já que não há patrocínio e nem ajuda de órgãos públicos.

Fundado em 12/10/2014, em Francisco Morato, por meninas que jogavam futebol na rua e decidiram montar um time, a Recrutas F.C. disputa vários campeonatos amadores. Janaína, presidente do clube, diz que hoje elas mantêm um projeto social chamado ‘recrutando’, que aceita integrantes de todas as idades para treinar.

“Todas possuem seus kits de treino, os quais cada uma comprou o seu”, diz Janaína. Os jogos são em escola pública municipal, então não há custos para locação da quadra.

Atualmente, a equipe tem 22 atletas, com 8 fixas, 8 alas e 6 pivôs, que disputam campeonatos pela cidade de São Paulo.

Preconceitos

Júlio relata que já sofreram vários tipos de preconceitos. “O fato de serem mulheres jogando e serem comandadas por um negro é um dos que enfrentamos”. Janaína lembra “já ouvimos apelidos como sapatão”.

Mas, Júlio ressalta “tem vários tipos que encaramos, porém, nosso maior objetivo é evoluir a modalidade”. E comemora “neste ano, conseguimos uma grande conquista, abrimos nossa primeira equipe de handebol feminino e nossa meta é ter competições em nosso calendário também da modalidade”.

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