Futebol Feminino: seleção americana perde processo por igualdade salarial

Atual bicampeã mundial, a seleção americana de futebol perdeu o processo  que solicitava a igualdade salarial e de direitos em relação ao elenco masculino. O processo contra a US Soccer (Federação de Futebol dos Estados Unidos) foi aberto no final do ano passado por 28 jogadoras da seleção e a decisão, divulgada no sábado (02/03), cabe recurso.

Para o juiz Gary Klausner, autor da decisão que rejeita a alegação das atletas, a equipe feminina recebeu mais em termos acumulados e médios por jogo do que o time masculino. A informação da sentença foi divulgada pela BBC. De acordo com a autoridade federal do estado da Califórnia, o cálculo utilizado se baseou na quantia que cada seleção americana recebeu entre 2015 e 2019. Para ele as mulheres receberam US$ 24 milhões, enquanto, os homens US$ 18,5 milhões no período.

Não seria necessário utilizar argumentos para um princípio básico de igualdade, mas a declaração utilizada pelas profissionais foi que a equipe gerou mais receita do que a masculina entre 2016 e 2018. Enquanto os jogadores entregaram um lucro de US$ 49.9 milhões, as jogadoras geraram quase US$ 51 milhões. 

Hoje, a equipe feminina recebe benefícios e bônus por representar a US Soccer, mas, segundo as atletas, os valores não chegam nem próximo do que o time masculino recebe.

O elenco feminino busca US$ 66 milhões (cerca de R$362 milhões) em danos sob a Lei da Igualdade Salarial.  Em um pronunciamento no Twitter, Molly Levinson, porta-voz das jogadoras, disse que planeja recorrer a decisão de Klausner:

“Estamos chocadas e decepcionadas com a decisão de hoje, mas não vamos desistir de nosso trabalho duro por igualdade salarial. Estamos confiantes em nosso caso e firmes em nosso compromisso de garantir que meninas e mulheres que praticam esse esporte não sejam menos valorizadas devido a seu sexo. Aprendemos que existem enormes obstáculos à mudança, sabemos que é preciso coragem e perseverança para enfrentá-los. Vamos apelar e continuar. As palavras não podem expressar nossa gratidão a todos que nos apoiam”, disse Levinson.

Além da porta-voz da equipe, outras profissionais se pronunciaram nas redes sociais. A melhor jogadora do mundo em 2019 pela FIFA e meio-campista da seleção, Megan Rapinoe twittou: “Nunca pararemos de lutar pela igualdade.” A atacante Alex Morgan disse: “Apesar de decepcionante ouvir esta notícia, isso não nos desencorajará em nossa luta pela igualdade”.

Neste ano (12/03), a seleção feminina americana virou a camisa de aquecimento para o lado avesso com o objetivo de esconder os emblemas do uniforme minutos antes da bola rolar contra o Japão pela SheBelieves Cup. O protesto destacou apenas as quatro estrelas dos títulos da Copa do Mundo na camisa do país. 

Em comunicado oficial a US Soccer afirma que pretende trabalhar para que as americanas se mantenham na posição de melhores do mundo.

“Estamos ansiosos para trabalhar com a equipe nacional feminina e traçar um caminho positivo para o crescimento do jogo. Estamos empenhados em continuar esse trabalho e garantir que a equipe nacional de nossas mulheres continue sendo a melhor do mundo”, disse a representante da US Soccer.

Como informado aqui na Agência Maria Boleira, o ex-presidente da US Soccer Carlos Cordeio renunciou ao cargo em março deste ano após pressão por parte dos patrocinadores da entidade. A Coca-Cola impôs esclarecimentos sobre a demanda do processo a Cordeiro e essa ação levou ao pedido de demissão do executivo.

A próxima etapa do julgamento acontece no dia 16 de junho de 2020. A data foi adiada por causa da pandemia do Novo Coronavírus.


*Esta reportagem foi por Clara Maria Lino e revisada por Isla Ramos. As reproduções deste conteúdo devem indicar que a produção é da Agência Maria Boleira e mencionar os nomes da autora e revisora. 

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