Futebol Brasileiro: agressores podem ocupar espaços de visibilidade?

Subtítulo teste

“Naquele dia, ela não conseguia fazer nada, nem mesmo ficar em pé”. O trecho é da sentença judicial, divulgado pelo Globo Esporte (GE), que condenou Robinho em 1ª instância por participar de estupro coletivo. Na época da condenação, em 2017, o jogador atuava pelo Atlético Mineiro(MG). Torcedoras do Galo organizaram ações contra a permanência do atacante no clube. 

Futebol Brasileiro / Foto: Reprodução
Futebol Brasileiro / Foto: Reprodução

Em outubro, o Santos (SP) anunciou a contratação de Robinho. De imediato, o atual treinador do Santos (SP), Cuca, defendeu o jogador e o qualificou como ‘uma pessoa maravilhosa’ e ‘um exemplo de jogador’.   

Cuca e Robinho, dois personagens com histórias semelhantes. Em 1987, Cuca, quando atuava pelo Grêmio (RS), foi condenado na Suíça junto a três jogadores pelo estupro de uma menina de 13 anos. 

Após divulgação dos áudios do processo e pressão dos patrocinadores, a diretoria do peixe decidiu suspender o contrato com o jogador. Robinho acusou a imprensa de distorcer o conteúdo. Esta não foi a primeira vez que a imprensa foi alvo de ataques por parte de jogadores acusados de violência contra mulher.

Jean Paulo, atual goleiro do Atlético (GO), acusado por agredir sua ex-esposa, Milena Bemfica, também utilizou a mesma estratégia quando questionado sobre o ocorrido.

Foto: reprodução stories/Instagram - @milenabemficaofc
Foto: reprodução stories/Instagram – @milenabemficaofc

Futebol Brasileiro: felizmente existe o movimento feminista

De acordo com os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os dados referentes ao ano de 2019 mostram um estupro a cada 8 minutos. No total, foram 66.123 boletins de ocorrência de estupro e estupro de vulnerável registrados em delegacias de polícia apenas no ano passado.

Envolvidos em casos de estupros e de violência contra mulheres podem ocupar espaços de destaque e até carregar denominação de ídolos? 

Para a pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Silvana Goellner, a violência contra mulher é banalizada. Num país em que as mulheres são sujeitas à segunda ordem e aos assédios físico e psicológico, o resultado é naturalização da violência. Além do que esses episódios precisam ser punidos independentemente se perpetrados por jogadores conhecidos ou não, explica.  

Silvana Goellner ainda acrescenta que casos de violência contra mulheres, cometidos por jogadores, pode influenciar outros garotos. “O futebol é um esporte de grande representatividade no Brasil. Ele valoriza ou celebra uma dada masculinidade, que é uma masculinidade viril. Os atletas que correspondem a esta masculinidade são valorizados, são representados como ídolos e criam representatividade para uma série de garotos. Então os casos de estupro, no meu ponto de vista, fissuram essa representação. Por se tratar de uma violência, mas como é valorizada essa masculinidade viril essa violência é naturalizada, é como se não fosse uma violência”, reforça.

Recentemente, o Internacional (RS) demitiu Matheus Monteiro, 20 anos. O jogador teve vídeo divulgado afirmando ter colocado droga no copo de bebida de uma mulher para dopá-la. Ele atuava no sub-20 do colorado. 

Qual seria o caminho para interromper a naturalização da violência contra mulheres no futebol brasileiro? 

Para Silvana Goellner, a violência contra mulher precisa ser debatida. “É importante pensar em como podemos minimizar essa situação não só por denúncia, mas também criminalizando. “Feminicídio, assédio e estupro são crimes que precisam ser punidos”, finalizou.

Este conteúdo foi produzido por Jaqueliny Botelho revisado e editado por Gabriela Andrade. As reproduções devem mencionar a Agência Maria Boleira e os nomes da autora e revisora. 

   

Compartilhe:

Compartilhar em facebook
Facebook
Compartilhar em twitter
Twitter
Compartilhar em whatsapp
WhatsApp
Deixe uma resposta

Veja também

Posts Relacionados

Cheias de bandeiras

A história do futebol tem uma grande reviravolta desde a sua entrada nas casas brasileiras pelos rádios. A sensação de…