Samantha Yépez: a nova presidenta do Deportivo Quito

Pela primeira vez em sua história, o Sociedad Deportivo Quito tem uma presidenta. Samantha Yépez Fernández, 25 anos, assumiu o cargo no início deste mês (07/04). O clube azul-grená atravessa grave crise financeira desde 2017 e disputa a última divisão profissional do Equador (Campeonato Provincial de Segunda Categoría). 

A categoria regional e todas as outras divisões foram interrompidas por causa da pandemia do Novo Coronavírus e não tem previsão de retorno. O planejamento do clube, neste ano, sofreu alterações devido à paralisação. Samantha era até então vice-presidenta do Deportivo Quito e ocupou o cargo no lugar de Juan Manuel Aguirre. 

Pela tradição da família, ela acompanha e torce pelo time desde a infância. Wilson Yépez, pai de Samantha, fez parte do conselho do clube como gerente em 2006 e Francisco Yépez, o irmão da presidenta, jogou nas divisões de base.

A jovem equatoriana é formada em Administração de Empresas pela Universidade de São Francisco de Quito e estudou Gestão Esportiva. Com base nesse conhecimento, ela busca alternativas para saldar a dívida do clube. 

A Agência Maria Boleira conversou com a presidenta sobre as próximas metas do time, sobre futebol equatoriano e mais:

 

Samantha Yépez
Samantha Yépez

Agência  Maria Boleira: O que a sua posse na presidência do Deportivo Quito representa para o futebol equatoriano?

Samantha Yépez: O futebol equatoriano mudou nos últimos anos devido à abertura que foi dada às mulheres. Atualmente, no país somos quatro presidentes de clubes importantes, portanto, essa mudança significa no Equador uma meta na história, na qual devemos demonstrar o porquê nós também podemos fazer um bom trabalho pelo esporte que tanto gostamos.

M.B: Qual a sua percepção sobre o futebol equatoriano?

Samantha Yépez: O futebol é o mais lindo, que me fez gerar amor e paixão pelo meu clube. Ademais, compartilhei muitos momentos lindos e duros nesse esporte e, principalmente, conheci muitas pessoas. No entanto, há muito que trabalhar dentro do futebol equatoriano, se deve seguir o exemplo de países europeus em sua administração para que, no âmbito esportivo, sejam geradas grandes conquistas. No futebol feminino, já aconteceu o processo de inclusão da mulher no futebol, mas é digno reconhecer o trabalho realizado por Fernanda Vasconez, responsável e jogadora do clube feminino Ñañas, que conseguiu chegar à Assembleia do Equador, para que fosse criado o dia nacional do futebol feminino no Equador. No ano anterior, realizou a Copa Libertadores Feminina em nosso país, o que provocou maior interesse e apoio ao futebol feminino. 

M.B: Como se sente sendo presidenta do clube de coração em uma modalidade majoritariamente masculina?

Samantha Yépez: Ser presidenta do clube Sociedad Deportivo Quito é um orgulho para mim, porque não há nada mais bonito no mundo do que unir minhas duas paixões, que são futebol e os negócios, por um mesmo objetivo de recuperar a instituição das administrações ruins passadas. Também tenho claro que é um desafio muito profissional, mas assumo com grande responsabilidade.

M.B: Quais são seus objetivos nesta gestão?

Samantha Yépez: O principal objetivo que estabelecemos com o conselho é manter o Deportivo Quito profissional, pois isso nos permitirá gerar receita econômica para poder cumprir as obrigações que temos com os credores. Além disso, é muito importante recuperar a institucionalidade do clube que tanto se perdeu, através da implantação das escolas de futebol, das divisões de treinamento do clube e da equipe feminina, porque este será o futuro do Deportivo Quito. Entendo que esse processo é longo e complexo, mas não impossível, somos claros no caminho a seguir e esperamos fazê-lo corretamente para alcançar a promoção e, assim, gerar alegria para todos os torcedores.

M.B: Você possui algum ídolo no futebol brasileiro?

Samantha Yépez: Para mim, os melhores jogadores brasileiros que são Ronaldo e Ronaldinho, devido a sua técnica e manuseio com a bola, que deram muita alegria ao seu povo. No futebol feminino, admiro Marta Vieira da Silva por todo o seu reconhecimento a nível mundial e pelo exemplo que ela dá para as gerações futuras. No entanto, no ano anterior, tive a oportunidade de ver a Copa Libertadores Feminina, e no futebol brasileiro pude acompanhar o trabalho em cada uma das jogadoras, fiquei muito feliz com a participação delas e vi Giovanna Crivelari (Corinthians) jogar como craque. Como dizemos em nosso país, o futebol delas é “muito chocolate”.

M.B: A técnica da seleção equatoriana Emily Lima te inspira?

Samantha Yépez: Estou feliz com a atuação de Emily Lima na equipe feminina do meu país, ela é uma grande profissional e eu adoraria conhecê-la. É um exemplo a mais para todas as mulheres que praticam esportes, pois, com seu trabalho, preparação e desempenho, rompem-se muitos paradigmas e estereótipos que não permitem que as mulheres ocupem esses postos no futebol.

M.B: Como está gerindo o clube neste período de pandemia?

Samantha Yépez: Atualmente, devido ao estado de emergência que estamos enfrentando da pandemia, todas as atividades estão suspensas dentro da instituição. No entanto, o time de futebol continua treinando sob a modalidade on-line. Estamos aguardando as disposições das autoridades. O mais importante agora é cuidar da saúde de cada um de nós que compõe o clube para retornar às atividades com grande força.


*Esta reportagem foi por Clara Maria Lino e revisada por Isla Ramos. As reproduções deste conteúdo devem indicar que a produção é da Agência Maria Boleira e mencionar os nomes da autora e revisora. 

Compartilhe:

Compartilhar em facebook
Facebook
Compartilhar em twitter
Twitter
Compartilhar em whatsapp
WhatsApp
Deixe uma resposta

Veja também

Posts Relacionados

Cheias de bandeiras

A história do futebol tem uma grande reviravolta desde a sua entrada nas casas brasileiras pelos rádios. A sensação de…