Entrevista: com Cristiane Gambaré, do Corinthians!

Cristiane Gambaré, diretora do futebol feminino do Corinthians, bateu um papo com a Maria Boleira e contou um pouco sobre os projetos do time em relação ao futebol feminino, sobre investimentos e sobre a visibilidade da modalidade. Veja a seguir a entrevista completa:

Maria Boleira — A visibilidade da modalidade tem aumentado. Vocês conseguem perceber isso em relação aos investimentos?

Cris Gambaré — Sem dúvidas hoje a modalidade tem mais visibilidade. Os investimentos existem. Não em cifras milionárias como as pessoas estão acostumadas quando se fala em futebol. Mas, elas tendem a aumentar com o crescimento da modalidade. Estamos longe do ideal, mas, como otimista que sou, vejo o futebol em Franca evolução

MB  —  No evento “Futebol Feminino — Muito mais que obrigação” você comentou sobre a dificuldade na realização dos jogos em horários alternativos, por problemas relacionados à segurança. Há alguma movimentação, no sentido de chegar a um consenso com a PM e os jogos passarem para horários mais convencionais?

CG — É uma demanda que estamos ajustando, bem como as entidades organizadoras dos campeonatos. Para jogos em horários convencionais, são necessárias diversas adaptações e questões estruturais, que aos poucos vamos atingindo. O caminho natural é do espetáculo no horário que agrade seu público.

MB — Existem planos para ampliar a base feminina do clube?

CG — Trabalhamos em etapas. Hoje, queremos consolidar nosso 17, como fizemos com o time adulto. Passo a passo vamos ampliando as coisas, mas sempre com muita responsabilidade, pois o futebol envolve pessoas e sonhos. Não se pode brincar com isso.

MB — A modalidade tem conquistado visibilidade, mas infelizmente a maioria dos clubes ainda disponibilizam estruturas precárias. Quando o Corinthians enfrenta clubes que ainda não dispõe de uma estrutura adequada, você nota que isso interfere no rendimento da equipe?

CG — Sem dúvidas. A parte dentro de campo é apenas o resultado de uma soma de fatores trabalhados durante toda a semana, nos dias anteriores. Uma atleta precisa ter um bom preparo, um acompanhamento médico de ponta, deve se alimentar bem, ter um tempo e espaço adequado para descansar. Tudo isso interfere em campo e, claro, equipes consideradas menores não conseguem se adequar a tudo isso. Mas, como disse anteriormente, a modalidade está em evolução e todas essas melhorias, para todos, é uma questão de tempo. Vontade nos clubes não falta.

MB — Pela primeira vez uma Copa do Mundo de futebol feminino será transmitida por uma emissora da TV aberta. Isso pode ser um caminho para que as demais competições da modalidade sejam transmitidas pela TV?

CG — Sem dúvidas. Mas, precisamos que a cultura brasileira, que preza por resultados, seja modificada. O desempenho em um torneio, seja bom ou ruim, não pode formar a opinião da pessoa sobre a modalidade. É preciso que o público aceite o futebol feminino de braços abertos, sem preconceitos ou julgamentos anteriores

MB — Depois do fim da parceria com o Audax, o Corinthians recebeu alguma proposta de parceria?

CG — Não e, hoje, não é um caminho que pensamos. Temos uma modalidade bem consolidada no clube.

MB — O Corinthians está concorrendo ao prêmio de melhor projeto de futebol feminino, pelo CONAFUT. Qual a expectativa sobre a premiação e como você analisa o trabalho feito até aqui?

CG — Sempre queremos ganhar, em campo ou fora dele. Mas, o resultado na verdade não importa tanto. Vejo o trabalho feito com muito amor, paixão e isso se reverte em bons resultados. Hoje temos um departamento de futebol feminino consolidado, com dois times, uma torcida Fiel que nos acompanha e parceiros que nos ajudam. É um bom trabalho, mas todos os dias queremos ser melhores que o dia anterior. (Em tempo, o Corinthians foi o vencedor do prêmio de melhor projeto de futebol feminino)

MB — Qual a sua perspectiva para o crescimento da modalidade, no geral, para os próximos anos e o que podemos esperar de novidades, em relação ao Corinthians?

CG — A perspectiva é ótima. O futebol feminino só tende a melhorar, crescer e isso será benéfico para todos. Do Corinthians, sempre buscaremos uma novidade, mas o importante é que, não só no meu clube, mas em todos, não seja novidade nenhuma a presença marcante da nossa modalidade.

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