Denúncia: campeão sergipano não repassa auxílio da CBF a atletas

O presidente do Grêmio Santos Dumont (SE), Jogival Melo Passos, é acusado de não repassar às jogadoras e à comissão técnica o auxílio de R$50 mil dado pela Confederação Brasileira de Futebol – CBF, a fim de ajudar o clube durante a paralisação das competições, ocasionada pela pandemia. O valor do benefício corresponde a dois meses de folha salarial, o que cobriria os gastos de abril e maio.

A denúncia foi feita pelo patrocinador da equipe, Célio França, empresário do ramo de produtos alimentícios. A acusação já foi registrada no Canal de Ética da CBF, que ainda não deu resposta até o fechamento da matéria.

Célio entrou em contato com o dirigente por telefone para obter satisfação. O mesmo afirmou a ele que investiria os R$50 mil na estrutura do clube. “Ele me disse que quer investir o dinheiro na sede do clube, que fica no bairro Santos Dumont, em Aracaju. Mas o time nem treina mais em Aracaju. Nós conseguimos uma parceria com a prefeitura de Carmópolis e treinamos em um campo de lá”, conta à reportagem da Maria Boleira.

Segundo o investidor, o campo de Aracaju não é totalmente adequado para o treinamento das meninas, já que possui as características de futebol society, não futebol de 11. O espaço pertence à prefeitura da cidade, na qual Jogival é funcionário. “Além disso, a CBF deu a verba para o salário da comissão técnica e das jogadoras, não para outros investimentos”, indaga.

O presidente tentou fazer um acordo com as jogadoras e com a comissão técnica, na tentativa de pagar R$500 a cada um durante os meses “parados”. Contudo, a soma daria cerca de R$20 mil e os outros R$30 mil ainda seriam destinados para fins indevidos.

Denúncia: sem salário, sem comida na mesa

A capitã da equipe, Lígia Montalvão, conta a Maria Boleira que o presidente nunca foi a um jogo da equipe: “Nós [atletas] nem conhecemos o Jogival, tratamos tudo diretamente com o Célio”, diz.

Atualmente ela é a jogadora com o salário mais alto do plantel, com R$1 mil mensal. “Tentei e tentei fazer um acordo com o presidente para que todas, durante a pandemia, recebessem esse mesmo valor, mas ele não cedeu. Estamos sem receber desde março”, ressalta.

“Tem meninas que são muito humildes. Tem gente da Bahia e até de Roraima que enviava dinheiro para os pais para ajudar nas despesas de casa. Fomos dispensadas pela quarentena em março, a maioria está em suas cidades natal e algumas estão sem ter o que comer em casa”, relata à atacante.

A capitã já jogou em outros clubes, entre eles o Kindermann, onde foi vice-campeã brasileira em 2014. “É tudo muito diferente em questão de estrutura e organização. Nossa final do Estadual, por exemplo, não pode ser no Batistão, porque a Federação colocou uma partida do masculino no mesmo dia. O futebol sergipano é um reflexo do futebol feminino no Brasil inteiro”, finaliza.

Denúncia: cartola tem histórico negativado

Está não é a primeira vez que Jogival Melo é acusado de não repassar valores da CBF. A entidade costuma dar uma ajuda de custo de R$5 mil para que os clubes visitantes consigam arcar com os custos da viagem. 

Em março deste ano o Santos Dumont jogou sua primeira partida pelo Brasileiro A2 contra o Esmac, em Belém. Célio, foi o chefe da delegação na viagem citada. Ele afirma que o dinheiro foi depositado na conta do clube, mas nunca foi repassado: “Eu viajei com as meninas e cobri todos os custos, que até excederam os R$5 mil. Peguei a nota de tudo, mas até hoje não recebi o dinheiro do presidente”, delata.


*Esta reportagem foi por Clara Maria Lino e revisada por Gabriela Andrade. As reproduções deste conteúdo devem indicar que a produção é da Agência Maria Boleira e mencionar os nomes da autora e revisora. 

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