O início de tudo: da regulamentação a proibição, a história das mulheres no futebol

Para quem conhece Marta e CIA, o futebol nasceu recente, nos anos 2000. Mas a primeira partida feminina registrada na história foi em 1898, entre Inglaterra e Escócia, em Londres. No Brasil, o primeiro jogo foi uma confusão. Era um jogo beneficente, ocorrido em 1913, mas ao final foi descoberto que o time do Sport Club Americano era composto por homens vestidos de mulheres.

Nos anos 20, os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Norte despontaram na modalidade. A primeira partida registrada oficialmente foi em 1921, em São Paulo, entre as senhoritas dos bairros de Tremembé e Cantareira, até então as partidas eram disputadas na várzea, nada levado a sério. Inclusive, a prática da modalidade era mostrada no circo como um “deboche” as mulheres que jogavam, já que naquela época elas se limitavam a arquibancada, sendo madrinhas de clubes ou mesmo dando o pontapé inicial.

Para famílias mais conservadoras o futebol era visto como violento, ver mulheres como jogadoras era absurdo. Muitos usavam argumentos de que a prática do esporte tiravam a feminilidade das moças e as tornavam inférteis. Mesmo com tantas críticas, o esporte chegou a alavancar em 1940, tendo até partidas sendo disputadas no Pacaembu. Isso gerou revolta em parte da população e das autoridades que lutou pela proibição de esportes violentos para mulheres. 

O início de tudo: depois da oficialização, veio a proibição

Em 1941, sob o comando do Ministério da Educação, foi criado o Conselho Nacional de Desportos (CND), que através de um processo de regulamentação proibiu a prática esportiva dentre as mulheres. No Decreto-Lei 3199, artigo 54, o texto dizia que “as mulheres não deveriam praticar esportes que não fossem adequados a sua natureza.” Nessa época ainda se discutia a profissionalização do esporte.

Mesmo depois da proibição muitas mulheres continuavam jogando clandestinamente. Até que em 1965, já no Governo Militar, o decreto é detalhado com o seguinte texto “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este feito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país.”

Em 1979, a lei é revogada, poderia ser o início de uma nova revolução feminina, mas não, os clubes e federações não compraram a ideia de manter equipes femininas, e apesar da revogação a proibição ainda seguia por alguns lugares do país.

O início de tudo: regulamentação Oficial da Modalidade

Somente em 1983, a modalidade foi regulamentada, as equipes Radar e SAAD, de Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente, acirraram a disputa entre os estados e conquistaram diversos títulos na década de 80.

Em 1988, a FIFA realizou na China o torneio “Women’s Invitational Tournament”, era uma experiência do que viria a ser a Copa do Mundo. A primeira seleção brasileira convocada foi formada por jogadoras do Radar e do Juventus. Ainda sobrava os resquícios da proibição, jogadoras não tinham uniforme, chuteiras ou meias, usavam materiais já utilizados pela seleção masculina, mas, mesmo assim, a equipe conquistou o 3º Lugar do torneio.

 

 

*Esta reportagem foi por Tatiane Pina e revisada por Gabriela Andrade. As reproduções deste conteúdo devem indicar que a produção é da Agência Maria Boleira e mencionar os nomes da autora e revisora. 

 

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