COB oferece curso gratuito para a prevenção do assédio e abuso no esporte

A cada 2 segundos uma mulher é assediada no país, segundo dados do Relógio da Violência, que registra os números da violência contra a mulher. As denúncias de assédio sexual crescem cada vez mais no Brasil, principalmente, nas redes sociais e demonstram a intolerância da sociedade a esses atos. 

Em 2018, foi criada a Lei nº 13.718/18, que apresenta a seguinte definição de importunação sexual:

 “Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”.  

A nova lei ganhou força no carnaval de 2020 com a campanha “Não é não”, que alavancou e levou à população o conhecimento sobre esses direitos, válidos para todos os gêneros. 

Em 2019, na Arena do Grêmio, torcedoras do tricolor foram coagidas enquanto acompanhavam a partida. Do mesmo modo, torcedoras do Bahia relataram ouvir “xavecos” ao acompanharem um jogo no estádio. Frente a isso, o clube baiano lançou um site para as denúncias e registros de casos, com a notoriedade #MedeixeTorcer!.

Curso Gratuito: Curso de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e Abuso no Esporte (PEAAE)

Pensando em como lidar melhor com esse cenário no meio esportivo, o Comitê Olímpico do Brasil (COB), por meio do Instituto Olímpico do Brasil (IOB), lançou no dia 13, o Curso de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e Abuso no Esporte (PEAAE), que tem o objetivo de discutir o tema e pensar em soluções para a melhoria no ambiente esportivo. 

O evento, que reuniu cerca de 80 pessoas, entre atletas, treinadores, representantes de Confederações e colaboradores no auditório do Centro de Treinamento do Time Brasil, contou com a participação do presidente do COB, Paulo Wanderley, do vice-presidente, Marco La Porta, e do diretor geral, Rogério Sampaio.

O debate teve a presença de Joanna Maranhão (natação), Bruno Mendonça (hóquei sobre grama); a psicóloga do COB, Aline Wolff; a gerente de Projetos da ONU Mulheres, Carolina Ferracini; e o advogado Paulo Schmitt, presidente da Comissão de Integridade da Federação Paulista de Futebol, além do jornalista Carlos Eduardo Eboli, que comandou a mesa-redonda.

Carolina Ferracini, da ONU Mulheres, em depoimento à plataforma do COB disse que a pretensão do curso é chegar a todos os setores da sociedade, podendo conscientizar muitas pessoas. “Podemos ficar muito perto de trabalhar o tema da prevenção, violência e abuso sexual, principalmente contra crianças e adolescentes. Nós temos a possibilidade de, objetivamente, debater esse tema, remover o tabu que existe em volta desse tema e começar a trabalhar com ferramentas mais concretas”, explica Carolina.

Sobre o curso

A estimativa é de que o curso gratuito capacite cerca de 7.500 profissionais do esporte. Além disso, toda a delegação que participará dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 terá até o mês de junho para concluir o curso. 

Os quatro temas principais são:

O que é assédio e abuso?→ definições e categorias; 

Reconhecendo os sinais→ como identificar casos de assédio e abuso;

Conhecendo o seu papel→reconhecer, denunciar e prevenir; 

O que as organizações esportivas podem fazer→ como atuar na prevenção do assédio e abuso no esporte. 

O curso é gratuito, tem a carga horária de 30 horas e é no formato à distância. Conta com conteúdos teóricos, reflexões, avaliações objetivas, vídeo aulas e acesso a documentos de apoio. Qualquer pessoa pode fazer, sendo obrigatório para todos que se relacionam com o COB: integrantes do Time Brasil em competições nacionais e internacionais, funcionários e membros, prestadores de serviço e voluntários.


*Esta reportagem foi por Tatiane Pina e revisada por Isla Ramos. As reproduções deste conteúdo devem indicar que a produção é da Agência Maria Boleira e mencionar os nomes da autora e revisora. 

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