Clubes entram com tudo (que podem) no Brasileiro A-2

O futebol feminino engatinha para ter a projeção merecida no país. Uns com forte investimento, outros com quase nada. A realidade é que nenhum dos clubes recebem a atenção que merecem dos dirigentes, dos investidores, da mídia e da própria população. Mas algo que une todas as mulheres do futebol é a expectativa pela estreia no Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino A-2, que começa hoje (27), com 36 clubes preparados para fazer o melhor em campo.

De Oiapoque ao Chuí, as equipes passaram pela pré-temporada e agora colocarão em prática tudo o que vivenciaram.

Em campo, o técnico Arismar Junior, do SEEL/AD/EC de Taubaté, ressalta o planejamento como aliado para ter bons resultados na disputa, além do intenso trabalho, que teve início no fim de janeiro. “De forma muito cuidadosa, nós conseguimos planejar esta pré-temporada e este planejamento foi seguido com muita dedicação, tanto pela comissão técnica, quanto pelas atletas. Todos nós entendemos que o planejamento é a base para que possamos construir algo sólido”, destaca Arismar.

Gerson Mendes, dirigente de futebol do Santa Quitéria, alerta sobre as dificuldades enfrentadas pelo time maranhense, que mesmo com poucos recursos, chega com muita fome de bola e senso coletivo. “Chegamos ao campeonato pedindo ajuda aqui e ali, para uma empresa ou uma pessoa importante na cidade, mas no Santa todas ajudam. Trazem coisas de casa, como água e lanche e, por conta disso, podemos perceber o quanto elas estão dispostas”, enfatiza.

Divulgação Santa Quitéria

O time perdeu algumas jogadoras e agora conta com um elenco de 25 mulheres. Mesmo sabendo que não recebem a mesma visibilidade do futebol masculino, querem mostrar tudo o que podem, com fins de ficarem bem colocadas na competição. “Infelizmente perdemos algumas meninas, mas faremos o que estiver ao nosso alcance. Treinamos todos os dias. Queremos subir para a série A-1 e aumentar a visibilidade delas a cada dia, pois temos um grande potencial”, finaliza Mendes.

A técnica do América, Kethleen Azevedo, acredita que a equipe está pronta para estrear na competição. “Apesar do tempo de preparação ter sido curto, conseguimos montar um elenco competitivo e esperamos ir bem na temporada. Vamos trabalhar muito para dar alegrias à nossa torcida”, diz.

Para a treinadora, a maior dificuldade da competição está na falta de informação entre os times. Como não há transmissão de jogos, nem disponibilidade de vídeos, o estudo do adversário é prejudicado. “Vamos buscando uma informação ou outra nos bastidores e fazendo o nosso melhor do jeito que dá”, completa.

Mesmo na segunda divisão, clube paulista é contraste de realidade

Já o São Paulo Futebol Clube aposta no planejamento a longo prazo e não em ações pontuais. “Independentemente dos resultados conquistados nesta temporada, existirá na próxima, sempre seguindo as instruções da FPF e da CBF em relação às competições que realizarão nos anos seguintes, dentro das exigências e expectativas das entidades que cuidam da modalidade”, explica o supervisor de futebol feminino, Amauri Nascimento.

Segundo o diretor de futebol feminino do time, Antônio Luiz Belardo, as meninas não dependem mais do masculino para existir, assim como acontece com o basquete e outras modalidades dentro do São Paulo. “Por ter investimentos próprios, temos que nos ajustar de acordo com a tabela fornecida pelas entidades organizadoras e planejamento financeiro para a temporada seguinte, trazendo mais jogadoras ou aproveitando mais a base, por exemplo”, finaliza Belardo.

Daniel Hott

O clube fez uma grande e importante contratação para esse ano, a atacante Cristiane Rozeiro, que chega para somar dentro e fora de campo. “A convivência com a base, por exemplo, é algo muito interessante e importante. Cristiane consegue passar sua experiência, bagagem e vivência dentro da modalidade para as meninas que as tem como ídolo. É sempre muito bom você poder trabalhar com seu ídolo, vivenciar o dia a dia com o mesmo”, enfatiza o técnico, Lucas Piccinato.

O torcedor tricolor está acostumado com títulos e as expectativas com o feminino não são diferentes. “Fizemos um grande esforço para trazer uma jogadora do calibre da Cristiane, mas todas as nossas jogadoras sabem da responsabilidade que é vestir a camisa do São Paulo”, finaliza Piccinato.

Longe dos grandes centros, time prioriza regionalidade

Com time e comissão técnica compostos exclusivamente por pessoas do próprio Estado, o Atlético Acreano entra no Brasileirão Feminino A-2 com esperança de fazer um bom campeonato, mesmo com as dificuldades que precisa enfrentar para praticar o futebol feminino.

Nossa equipe conversou com a técnica e responsável pelo futebol feminino do clube, Neila Rosas, que relatou um dos problemas com o qual o clube precisa lidar: “A dificuldade que nós enfrentamos é lugar para treinar, porque no nosso Estado estamos no período de chuvas e fica muito difícil encontrar campos em condições para treinamento”, diz.

Rubens Chiri

As dificuldades não impedem as meninas de mandarem bem. A auxiliar técnica faz questão de ressaltar que todas atletas merecem destaque. Elas vivem a mesma realidade da maioria dos clubes femininos espalhados pela Brasil. “Muitas saem do trabalho e vão direto para o treino, outras levam seus filhos para lá, com fins de não deixá-los sozinhos”, conta.

A responsável pelo futebol feminino do time acreano considera que o modo de disputa deste ano faz com que os times tenham mais chances, já que antes a competição podia terminar em um único jogo. Isso, mesclado ao fator força de vontade, dá ao clube grandes possibilidades. “Mesmo com todas as dificuldades, elas estão se dedicando para virem treinar. Esse empenho certamente gerará bons frutos”, enfatiza.

Clique aqui para acessar online o Guia do Brasileirão A2 ou faça download do arquivo clicando aqui.

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