Caso Mariana Ferrer: clubes brasileiros vão a público

O caso da promotora de eventos, Mariana Ferrer, 23 anos, ganhou repercussão nacional e chegou aos clubes de futebol da Série A. Na última terça-feira (3), o site The Intercept Brazil publicou uma reportagem com trechos do julgamento do empresário André Camargo Aranha, acusado de estupro de vulnerável em 2019, um ano após o acontecido. O vídeo circulado comoveu a internet e fez os clubes irem a público se posicionar.

Durante a conferência, que aconteceu em setembro deste ano, a vítima foi humilhada e torturada psicologicamente pelo advogado do réu, Cláudio Gastão da Rosa Filho, com falas como “Não tenho uma filha com o teu nível, graças a Deus. E também peço a Deus que meu filho nunca encontre uma mulher como você” e “Não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso e essa lábia de crocodilo”. O juiz Rudson Marcos não interveio durante os ataques e em sua sentença concluiu que não havia provas suficientes para condenar o réu, mesmo com os exames toxicológicos e de corpo de delito.

O promotor do caso, Thiago Carriço de Oliveira, que assumiu o caso após repentina substituição da promotoria, levantou a tese de “estupro culposo”, alegando que não houve dolo (intenção) do acusado, pois não havia como o empresário saber se a jovem estava ou não em condições de consentir a relação. Além da sentença, o novo termo – que não é legitimado no sistema de leis brasileiro – movimentou a internet e a assessoria dos clubes.

Após vídeo viralizar, 17 dos 20 times da Série A – entre eles Corinthians, São Paulo, Internacional e Atlético Mineiro – se posicionaram contra as injustiças cometidas contra a influenciadora e estamparam nas redes sociais seu apoio à luta contra a violência de gênero. Um dos pioneiros na luta pelas causas sociais, Corinthians, se assumiu contra o termo “estupro doloso” e afirmou que a violência física e psicológica contra a mulher é inaceitável.

A torcida feminina corintiana sempre esteve em peso para cobrar condutas exemplares do time. Exemplo disto foi a rescisão de contrato do atacante Juninho, no mesmo dia em que o ex-Sport foi detido por bater e ameaçar a ex-esposa. Ele havia sido apresentado como reforço em 2018, no dia em que se comemoravam 12 anos da Lei Maria da Penha. 

Os três times que não se posicionaram sobre o caso Mariana Ferrer estão envolvidos em repercussões negativas sobre contratação de jogadores condenados ou indiciados a violência contra mulher. São eles Atlético Goianiense, Santos e Red Bull Bragantino.

André era conhecido como uma pessoa influente no ramo do futebol. O empresário mantinha diversos jogadores no seu ciclo de amizades, como o atacante da seleção brasileira, Gabriel Jesus.


Este conteúdo foi produzido por Rafaela Silva revisado e editado por Danielle Mugarte. As reproduções devem mencionar a Agência Maria Boleira e os nomes da autora e revisora. 

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