Árbitra relata apoio da CBF e nova rotina de treinos durante quarentena

A arbitragem do futebol nacional e internacional estará amparada durante a pandemia do novo coronavírus, chamada popularmente de COVID-19. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou na última semana que dará apoio financeiro aos juízes, auxiliares e bandeirinhas atingidos pela paralisação das competições. Cerca de 10 mil atuam na área, seja pela própria entidade, por federações locais ou em ligas amadoras.

Os 479 que compõem o quadro nacional receberão, antecipadamente, uma taxa de arbitragem, calculada a partir do maior valor pago para sua categoria. Um árbitro convencional da CBF deve receber aproximadamente R$ 3,8 mil. Já para um juiz com a chancela internacional (FIFA) o valor pode chegar a R$5 mil. Os demais profissionais que não forem beneficiados podem recorrer ao Auxílio Emergencial, sancionado pela presidência no fim do último mês, no valor de R$600.

Vanessa Azevedo, 28 anos, é uma das beneficiadas. Árbitra assistente natural de Montes Claros, Minas Gerais, e sergipana de coração, ela conta que no Brasil a função de árbitro de futebol ainda não é considerada uma profissão e que, por isso, a maioria dos atuantes mantém uma segunda atividade. “Em detrimento de todo esse momento que vivemos a CBF, muito acertadamente, nos deu uma ajuda de custo para amenizar algumas situações”, diz Vanessa.

Ela relata que o apoio dado aos árbitros vai além do financeiro. “Continuo treinando, porém, tive que readaptar os treinamentos ao espaço que tenho hoje, que é minha casa. Os treinos são priorizados em manter meu condicionamento e avaliações físicas. Continuo com o incentivo e orientações fornecidas pela CBF, semanalmente, nos pilares: físico, técnico e mental”, conta.

O suporte acontece por intermédio da Comissão Nacional de Arbitragem, que contempla atendimento psicológico, orientações para condicionamento físico, aulas teóricas por videoconferência com lances de jogos, aspectos do VAR, mudanças mais recentes nas regras para análise e comentários das equipes de arbitragem. A cada dois dias são aplicados testes por meio de vídeos de jogadas, que são analisados pelos instrutores e devolvidos aos participantes com novas instruções.

A árbitra assistente da FSF (Federação Sergipana de Futebol) e da CBF também conversou com a Agência Maria Boleira sobre sua carreira, o período de quarentena e a rotina durante os campeonatos. Confira a entrevista abaixo:

M.B: Conte um pouco sobre sua paixão.

Vanessa: Minha paixão na arbitragem começa há 10 anos, motivada pelo meu pai, que sempre foi uma inspiração para mim. Sempre assistimos os jogos juntos e às vezes íamos ao estádio. Quando tive o desejo de estar inserida no futebol vi na arbitragem algo que fez meu coração bater mais forte.

M.B: E como deu início à sua carreira?

Vanessa: Fiz o curso em 2010 e em 2015 comecei a trilhar de fato minha carreira, atuando em jogos da série A1 do Sergipano, além de ter sido escolhida para fazer parte do quadro nacional da CBF. No ano seguinte muitas portas começaram a se abrir, trabalhei em competições nacionais de futebol feminino, a partir daí muitos trabalhos importantes começaram a surgir, dentre eles jogos da Série C, Série D, Copa do Nordeste e a final da Copa do Nordeste Sub-20. Em 2017 e em 2019 fui convidada a fazer o curso RAP-FIFA “Árbitras de Elite”, em Águas de Lindóia-SP onde pude agregar muito conhecimento e experiência com instrutores de arbitragem com renome internacional, o que me condicionou a trabalhar em jogos ainda mais importantes dentre eles destaco, até então, o melhor jogo de minha carreira, válido pela Série C do Brasileirão de 2019, Remo x Volta Redonda.

M.B: Você é árbitra da CBF e da Federação Sergipana de Futebol ao mesmo tempo?

Vanessa: Sim. Todos os árbitros brasileiros que integram o quadro da CBF obrigatoriamente devem fazer parte de alguma federação local em algum estado. Na verdade, existe uma escada. Para chegar a CBF é preciso ter muito destaque em sua federação. Estou apta a trabalhar em competições locais e nacionais tanto nos jogos femininos quanto no masculino.

M.B: Como são seus treinos no dia a dia?

Vanessa: São treinos planificados para manutenção e melhoria das valências físicas com intensidade diferente ao longo da semana. Visando pré-jogo, pós-jogo e a manutenção das avaliações físicas. Durante a semana, os treinos são baseados em exercícios aeróbicos, anaeróbicos (intercalados), exercícios de prevenção (proprioceptivos) e musculação. Específicos para meu desempenho na arbitragem.


*Esta reportagem foi por Clara Maria Lino e revisada por Danielle Mugarte. As reproduções deste conteúdo devem indicar que a produção é da Agência Maria Boleira e mencionar os nomes da autora e revisora. 

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